domingo, 15 de abril de 2018

Uma terrível normalidade: os massacres e as aberrações da História


Nós precisamos nos esforçar de toda forma possível pelo desenrolar revolucionário, uma revolução de democracia

 Ao longo de boa parte da história, o anormal tem sido a norma, este é o paradoxo que vamos examinar. Aberrações, tão abundantes que formam uma terrível normalidade própria, caem sobre nós com uma consistência medonha.
A quantidade de massacres na história, por exemplo, é quase maior do que nós podemos nos lembrar. Houve o holocausto do Novo Mundo, que consistiu no extermínio de povos indígenas americanos nativos por todo o hemisfério ocidental, estendendo-se por quatro ou mais séculos e continuando até tempos recentes na região amazônica.
Foram séculos de escravidão cruel nas Américas e em outros lugares, seguidas por um século inteiro de linchamentos a da segregação de Jim Crow nos Estados Unidos, e pelos numerosos assassinatos e prisões da juventude negra pela polícia atualmente.

Não nos esqueçamos do extermínio de 200 mil filipinos pelo exército dos Estados Unidos no começo do século 20, o massacre genocida de 1.5 milhão de armênios pelos turcos em 1915, e a matança em massa dos africanos pelos colonialistas ocidentais, incluindo as 63 mil vítimas do genocídio de hererós e namaquas, no sudoeste africano alemão, em 1904, e a brutalização e escravização de milhões de belgas do Congo desde o final dos anos 1880 até a sua emancipação em 1960 – seguida pelos anos de exploração do livre-comércio neocolonial e pela repressão no que era o Zaire de Mobutu.
Os colonizadores franceses mataram 150 mil argelinos. Mais tarde, muitos milhões faleceram em Angola e Moçambique ao lado de outros 5 milhões na impiedosa região hoje conhecida como a República Democrática do Congo.

O século vinte nos deu – além de outros horrores – mais de 16 milhões de vidas perdidas e de 20 milhões de feridos ou mutilados na Primeira Guerra Mundial, seguidos pelos estimados 62 a 78 milhões de mortos na Segunda Guerra Mundial, incluindo 24 milhões de militares e civis soviéticos, 5.8 milhões de judeus europeus, e somados como um todo, muitos milhões de sérvios, poloneses, ciganos, homossexuais e uma porção de outras nacionalidades.

Nas décadas depois da Segunda Guerra Mundial, muitos, se não a maioria, dos massacres e guerras foram abertamente ou secretamente patrocinados pelo estado de segurança nacional dos Estados Unidos. Isso inclui os mais ou menos dois milhões deixados mortos ou desaparecidos no Vietnã, ao lado dos 250 mil cambojanos, 100 mil laosianos e 58 mil americanos.

Em boa parte da África, Ásia Central, e no Oriente Médio, hoje, existem guerras “menores”, cheias de atrocidades de todos os tipos. A América Central, a Colômbia, a Ruanda e outros lugares numerosos demais para listar sofreram massacres e extermínios em massa de centenas de milhares, uma constância de horrores violentos. No México, uma “guerra contra as drogas”, tirou a vida de 70 mil pessoas e deixou 8 mil desaparecidas.

Houve a chacina de mais de meio milhão de indonésios socialistas ou nacionalistas democráticos pelo exército indonésio patrocinado pelos Estados Unidos em 1965, que terminou seguida pelo extermínio de 100 mil timorenses do leste pelo mesmo exército apoiado pelos Estados Unidos.
Considere os 78 dias de destruição aérea da Iugoslávia pela OTAN, completada com [armas de] urânio empobrecido, e o bombardeio e invasão do Panamá, Granada, Somália, Líbia, Iêmen, Paquistão Ocidental, Afeganistão, e agora a guerra devastadora do atrito intermediado contra a Síria. Enquanto eu escrevo (no começo de 2013) sanções patrocinadas pelos Estados Unidos contra o Irã estão plantando severas dificuldades para a população civil daquele país.
Tudo o que foi citado acima faz parte de uma muito incompleta lista da injustiça feia e violenta no mundo. Um inventário completo encheria volumes. Como nós registramos os outros incontáveis abusos que marcam vidas, os muitos milhões que sobreviveram a guerras e massacres, mas seguem para sempre com corpos e espíritos quebrados, condenamos a uma vida de sofrimento e privações sem dó, refugiados que não têm comida ou remédios ou água e serviços sanitários em países como Síria, Haiti, o sul do Sudão, Etiópia, Somália e Mali?

 Pense nas milhões de mulheres e crianças ao redor do mundo e ao longo dos séculos que foram traficadas de maneiras impronunciáveis, e os milhões em cima de milhões presos em uma armadilha de exploração, sejam eles escravos, servos, ou trabalhadores mal pagos. O número de empobrecidos está agora crescendo em uma taxa que supera a população mundial. Some a isso os incontáveis atos de repressão, encarceramento, tortura e outros abusos criminosos que se abateram sobre o espírito humano em todo o mundo e todos os dias.
Não deixemos passar batidas a onipresente corrupção corporativa e as massivas fraudes financeiras, a pilhagem dos recursos naturais e o envenenamento industrial de regiões inteiras, o deslocamento forçado de populações inteiras, as catástrofes intermináveis de Chernobyl e Fukushima e outros desastres iminentes esperando o envelhecimento de muitos reatores nucleares.

As mais horrorosas aberrações do mundo são tão comuns e implacáveis que elas deixam de ser extremas e nós nos tornamos acostumados ao horror de tudo. “Quem hoje se lembra dos armênios?”, é uma pergunta que Hitler teria feito enquanto planejava sua “solução final” para os judeus. Quem hoje se lembra dos iraquianos e da morte e destruição que eles sofreram em larga escala pela invasão norte-americana de suas terras? William Blum nos faz lembrar que mais da metade da população do Iraque está ou morta, ou ferida, traumatizada, presa, deslocada ou exilada, enquanto seu meio-ambiente é saturado com urânio empobrecido (do armamento estadunidense) provocando horrorosos defeitos de nascimento nos bebês.


Padrões

O que será feito disso tudo? Primeiro, nós não podemos atribuir essas aberrações ao acaso, a confusões inocentes e a consequências não intencionais. Nem deveríamos acreditar nas justificativas comuns sobre espalhar a democracia, lutar contra o terrorismo, promover resgates humanitários, proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos e outras palavras de ordem gritadas pelas elites dominantes e seus porta-vozes.

Os padrões repetitivos de atrocidade e violência são tão persistentes que nos convidam a suspeitar que eles geralmente sirvam a interesses reais; eles são estruturais e não incidentais. Toda essa destruição e chacina deu altíssimos lucros aos plutocratas que buscam a expansão econômica, a aquisição de recursos, o domínio de territórios e a acumulação financeira.

Os interesses dominantes estão bem servidos por sua superioridade em armas de fogo e força de ataque. A violência é do que nós estamos falando aqui, não apenas a do tipo selvagem e arbitrária, mas a persistente e bem organizada. Como um recurso político, a violência é o instrumento da autoridade suprema. A violência permite a conquista de terras inteiras e das riquezas que elas contêm, enquanto se aproveita de trabalhadores deslocados e outros escravos.

Os governantes da plutocracia acham necessário maltratar ou exterminar multidões inquietas para fazer com que elas morram de fome enquanto os frutos de suas terras e o suor de seu trabalho enriquecem os círculos sociais privilegiados.

Assim, nós tivemos uma lei imperial regida pelo lucro que ajudou a causar a grande fome no norte da China, entre 1876-1879, resultando na morte de por volta de 13 milhões de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, a fome de Madras, na Índia, levou as vidas de nada menos que 12 milhões enquanto as forças coloniais enriqueceram ainda mais. E noventa anos antes, a Grande Fome na Irlanda levou a um milhão de mortes, com outro desesperado milhão emigrando de sua terra natal. Nada acidental aí: enquanto os irlandeses morriam de fome, seus patronos ingleses exportavam carregamentos de grãos e gado para a Inglaterra e outros países, ganhando para si lucros consideráveis.
Essas ocorrências devem ser vistas como algo mais que apenas anomalias históricas flutuando sem rumo no tempo e no espaço, causadas apenas por impulsos arrogantes ou casualidades. Não é suficiente condenar os eventos monstruosos e os tempos ruins, nós precisamos tentar entendê-los. Eles devem ser contextualizados no quadro mais amplo das relações sociais históricas.


Crises econômicas

O sistema socioeconômico dominante atual é o capitalismo de livre-comércio (em todas as suas variações). Junto com seu terrorismo imperialista implacável, o capitalismo de livre-comércio proporciona “anomalias normais” dentro de sua própria dinâmica, criando escassez e um excesso mal distribuído, cheio de duplicações, desperdício, superprodução, destruição ambiental assustadora, e variedades de crises financeiras, trazendo inchadas recompensas para um grupo seleto e dificuldades contínuas para multidões.

As crises econômicas não são excepcionais; elas são o modus-operandi do sistema capitalista. Outra vez, o irracional é a norma.
[Grafitti em Milão, na Itália, manda aviso ao ex-premiê Silvio Berlusconi: "Pague você a crise!]
Considere a história do livre-comércio: depois da Guerra da Independência dos Estados Unidos, houve as rebeliões de débito do final dos anos 1780, o pânico de 1791, a recessão de 1809 (que durou muitos anos), os pânicos de 1819 e 1837, as recessões e quebras ao longo de boa parte do restante daquele século. A séria recessão de 1893 continuou por mais de uma década.
Depois do desemprego industrial de 1900 a 1915 veio a depressão agrária dos anos 1920 – escondida atrás do que ficou conhecido entre nós como a “Era do Jazz”, seguida de uma horrenda quebra da bolsa e da Grande Depressão de 1929-1942. Ao longo de todo o século 20 nós tivemos guerras, recessões, inflação, lutas laborais, alto desemprego – raramente um ano que pudesse ser considerado “normal” em qualquer sentido agradável. Um período normal estendido seria ele mesmo uma anormalidade. O livre-comércio é desenhado para ser inerentemente instável em todos os aspectos fora o acúmulo de riquezas para os poucos selecionados.

O que nós estamos testemunhando não é um acaso irracional em uma sociedade basicamente racional, mas o contrário: o “racional” (a ser esperado) é o acaso de uma sociedade fundamentalmente irracional. Isso significa não podemos escapar aos horrores? Não, eles não feitos por forças sobrenaturais. Eles são produzidos pela ganância plutocrática e pela decepção.

Então, se o anômalo é a norma e o horror é crônico, na nossa revanche nós temos que dar menos atenção ao idiossincrático e mais ao sistêmico. Guerras, massacres e recessões ajudam a aumentar a concentração do capital, o monopólio de mercado e dos recursos naturais, e destroem organizações trabalhistas e a resistência popular transformadora.

Os caprichos brutais da plutocracia não são produto de personalidades particulares, mas de interesses sistêmicos. O presidente George W. Bush foi ridicularizado por errar as palavras, mas sua construção de impérios e remoção de serviços e regulamentos governamentais revelou uma grande devoção aos interesses da classe dominante. Da mesma maneira, o presidente Barack Obama não é covarde. Ele é hipócrita, mas não confuso. Ele é (em sua própria descrição) um antigo “liberal republicano”, ou como eu diria, um fiel servidor das corporações da América.

Nossos diferentes líderes são bem informados, não iludidos. Eles vêm de diferentes regiões e diferentes famílias, e têm personalidades diferentes, mas ele buscam basicamente as mesmas políticas representando a mesma plutocracia.

Ações

Então não é suficiente denunciar atrocidades e guerras, nós também temos que entender quem as propaga quem lucra com elas. Nós temos que perguntar porque a violência e a decepção são ingredientes constantes.

Consequências não intencionais e outras esquisitices acontecem em assuntos mundanos, mas nós também temos que levar em consideração as intenções racionais orientadas pelo lucro. É mais comum que as aberrações – sejam elas guerras, quebras de mercado, fomes, assassinatos individuais ou matanças em massa – tomem forma porque aqueles no topo estão buscando expropriações lucrativas. Muitos podem sofrer e perecer, mas alguém em algum lugar esta lucrando sem limites.

Conhecer nossos inimigos e o que eles são capazes de fazer é o primeiro passo na direção de uma oposição efetiva. O mundo deixa de ser uma confusão terrível. Nós podemos resistir a esses agressores quando nós vemos quem eles são e o que eles estão fazendo conosco e com nosso sagrado meio-ambiente.

As vitórias democráticas, não importa se são pequenas ou parciais, devem ser abraçadas. Mas as pessoas não devem ficar satisfeitas com favores cintilantes oferecidos pelos líderes suaves. Nós precisamos nos esforçar de toda forma possível pelo desenrolar revolucionário, uma revolução de democracia, o tipo de onda irresistível que parece surgir do nada enquanto leva tudo que está à sua frente.


* Michael Parenti é um escritor e historiador norte-americano. Seus livros mais recentes são The Culture Struggle (2006), Contrary Notions: The Michael Parenti Reader (2007), God and His Demons (2010), Democracy for the Few (9th ed. 2011), e The Face of Imperialism (2011). Para mais informações sobre o trabalho dele, visite seu site: www.michaelparenti.org. Artigo originalmente publicado no site Global Research


http://m.operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/26931/uma+terrivel+normalidade+os+massacres+e+as+aberracoes+da+historia.shtml#

domingo, 8 de abril de 2018

Três dias para ver!


O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão?
Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader's Digest (Seleções)

Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. "Nada de especial", foi à resposta.
Como é possível, pensei caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.
Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.
Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer à pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas "janelas da alma", os olhos. Só consigo "ver" as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.
Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!
O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra - os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tato as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tato. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso.
Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.
Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.
Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contato fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.

Helen Keller

Fonte: www.lerparaver.com (Site na qual se trata da deficiência visual)
Texto: Seleções Reader's Digest - Junho/2002
Cortesia de José Pedro Amaral 


O filho pergunta ao pai...

- Pai, o que são Embargos Infringentes?
- É o seguinte: imagina que nossa casa seja um Tribunal e que quando alguém erra, é julgado e todos podem votar! Um dia, por exemplo, o papai comete um deslize:  é pego traindo sua mãe com três prostitutas. Eu irei a julgamento. Sua mãe, a mãe dela, o pai dela, sua irmã mais velha, você e seu irmão mais velho votam pela minha condenação. Meu pai, minha mãe, o Toto e a Mimi, nossa gatinha, votam pela minha absolvição.
- Tá pai, mas aí você é condenado, não?
- Sim, fui, aí é que entra os tais dos “Embargos Infringentes” meu filho. Como eu ganhei quatro votos a favor da minha absolvição, tenho direito a um novo julgamento.
- Mas pai, no novo julgamento todos vão votar do mesmo jeito.
- Não se eu tiver trocado a sua mãe, o pai dela e a mãe dela pelas três prostitutas.


 Nação Jurídica

Médico que estagiou em hospital chinês fala de extração de órgãos de pessoa viva


O sistema médico-militar chinês, há décadas, utilizam órgãos de prisioneiros executados em transplantes de órgãos. Sempre se suspeitou que, em alguns casos, a extração do órgão foi realizada enquanto a vítima ainda estava viva para, assim, assegurar que o órgão tivesse máxima qualidade.
O relato a seguir é uma recente entrevista dada pelo sr. Wang ao jornal Epoch Times, editada por questões de brevidade e clareza, e com a adição de subtítulos. Segue o relato:
Aconteceu na década de 1990. Eu era um médico estagiando no departamento de urologia do Hospital Geral Militar de Shenyang, na província de Liaoning. Certo dia, o hospital recebeu um telefonema da Região Militar de Shenyang requisitando imediatamente uma equipe médica para uma missão militar.
De tarde, o diretor de minha divisão médica começou a convocar pessoas para essa missão. Seis funcionários do Hospital foram convocados: dois enfermeiros, três médicos e eu.
Foi-nos dito para que não nos comunicassemos com o mundo exterior até que a missão estivesse concluída e isso incluía ligar para familiares e amigos.
Fomos transportados em uma van modificada. Veículos militares escoltaram-nos; senti que íamos bastante rápido. As janelas da van foram cobertas com panos azuis para que não pudéssemos ver para onde estavam nós levando.
Chegamos a um lugar cercado de montanhas onde havia vários soldados. Um oficial militar recebeu-nos; através dele ficamos sabendo que estávamos numa prisão militar perto da cidade de Dalian.
A extração de um rim de uma pessoa viva
Na manhã seguinte, depois que uma das enfermeiras, acompanhada de dois soldados, ter tirado amostras de sangue de uma pessoa, fomos chamados para entrar na van. Paramos num lugar desconhecido; soldados armados cercaram a van.
Em seguida, quatro soldados carregaram um homem até a van e colocaram-no sobre um saco plástico preto de cerca de dois metros de comprimento.
Os pés desse homem estavam fortemente amarrados com algum tipo de fio bem fino, mas bastante resistente. O fio estava fortemente amarrado ao redor do pescoço, que sangrava, e daí ia até os braços amarrados nas costas e aos pés. Isso impedia que a pessoa pudesse se mecher.
Quando toquei as pernas da pessoa, pude sentir que elas estavam quentes.
Os médicos e as enfermeiras rapidamente se vestiram para a cirurgia. Eu era assistente deles e fiquei responsável por cortar a artéria, a veia e a ureter [o canal que liga o rim à bexiga].
A enfermeira cortou a camisa do homem e aplicou desinfetante no peito e na barriga três vezes. Em seguida, o médico, com o bisturi, cortou do subxifóide [abaixo do peito] até o umbigo. Vi as pernas do homem tremerem, mas sua garganta não pôde emitir sons.
Então, quando o médico fez a incisão na pessoa, o sangue ainda circulava, o que indicava que a pessoa ainda estava viva.
Rapidamente, os rins foram removidos. Eu cortei a artéria e veia. As ações dos médicos foram habilidosas e rápidas. Eles colocaram os dois rins em uma caixa termostática.
Quando olhei para o rosto do homem, vi nele uma expressão de terror. Eu senti como se ele estivesse olhando para mim. Suas pálpebras se moviam. Ele ainda não estava morto.
Fiquei atônito, minha mente ficou vazia. Meu corpo tremia, foi terrível!
Eu me lembrei de ter ouvido na noite passada um militar conversando com o médico responsável e dizendo “…não tem nem 18 anos. É saudável, cheio de vida”. Falavam da pessoa que estava bem diante de mim?! Nós extraímos os rins de uma pessoa ainda viva. Foi horrível!
Eu disse ao médico que eu não poderia continuar.
Em seguida, outro médico, com um fórceps, arrancou completamente os globos oculares daquela pessoa.
Eu não pude fazer nada. Eu tremia e suava; estava esgotado e perplexo.
Esperando os órgãos
Quando acabou, o médico bateu na lateral da van. Um soldado sentado no banco do passageiro da frente começou a falar via rádio. Quatro soldados logo vieram para envolver o corpo, agora mole, no saco plástico e jogá-lo em um caminhão militar.
Fomos levados rapidamente de volta ao hospital militar. Os órgãos foram entregues uma equipe médica, que estava numa sala de cirurgia,  já pronta, para realizar o transplante.
Espírito desmoronado
Sob medo extremo e choque, já em casa, eu tive uma forte febre. Eu não tive coragem de contar a ninguém o que aconteceu. Ninguém da minha família sabe disso. Logo depois dessa cirurgia, eu deixei o Hospital Geral de Shenyang Militar.
No entanto, o terror da cena estava longe de terminar. Eu testemunhei uma vida humana que foi torturada e morta bem diante de mim. A pressão mental me deixou num estado lastimável.
Durante muito tempo, não importa se de dia ou de noite, eu vi a expressão de sofrimento e terror no rosto daquele homem; é como se ele estivesse olhando para mim.
Eu nunca falei disso, porque, sempre que pensava nisso, eu queria sumir do mundo.
Quando a mídia de outros países expôs a extração forçada de órgãos de praticantes do Falun Gong [em 2006, na China], eu imediatamente soube que era tudo verdade. Tais práticas já eram realizadas no sistema militar do Partido Comunista Chinês. A perseguição ao Falun Gong apenas deu a eles uma fonte mais ampla de órgãos.



https://www.epochtimes.com.br/medico-hospital-chines-fala-extracao-de-orgaos/#.VQyJCI7F-T9

Paradoxos difíceis de entender


Os muçulmanos não estão felizes...

· Eles não estão felizes em Gaza.
· Eles não estão felizes na Cisjordânia.
· Eles não estão felizes no Egito.
· Eles não estão felizes na Líbia.
· Eles não estão felizes na Argélia.
· Eles não estão felizes na Tunísia. 
· Eles não estão felizes em Marrocos.
· Eles não estão felizes no Iêmen.
· Eles não estão felizes no Iraque.
· Eles não estão felizes no Afeganistão.
· Eles não estão felizes na Síria.
· Eles não estão felizes no Líbano.
· Eles não estão felizes no Sudão.
· Eles não estão felizes na Jordânia.
· Eles não estão felizes no Irã.
· Eles não estão felizes na Somália.
· Eles não estão felizes no Paquistão.
· Eles não estão felizes em Bangladesh... etc.
A grande maioria quer fugir de lá para se refugiar em outras terras...
Onde os muçulmanos estão felizes?
Eles estão felizes na Inglaterra.
Eles estão felizes na França.
Eles estão felizes na Itália.
Eles estão felizes na Alemanha.
Eles estão felizes na Suécia.
Eles estão felizes na Holanda.
Eles estão felizes na Dinamarca.
Eles estão felizes na Bélgica.
Eles estão felizes na Noruega.
Eles estão felizes em U.S.A.
Eles estão felizes no Canadá.
Eles estão felizes na Austrália.
Eles estão felizes na Nova Zelândia.
Eles estão felizes em qualquer outro país no mundo que não está sob um governo muçulmano.
E quem eles culpam por estarem infelizes?
Resposta: Os países onde eles são felizes!
Eles não culpam: 
· O sistema opressor do Islã.
· A liderança Islâmica corrupta.
· Nem a si mesmos...
Eles culpam os países onde estão vivendo e tendo liberdade. 
Isso é tão verdadeiro... 
A democracia é realmente boa para eles, mas eles dizem que a democracia vai contra o Islã. 
A democracia permite a eles viverem confortavelmente, aproveitar a alta qualidade de vida que eles não trabalharam para ter... 
Podem até manter seus costumes. Desobedecem às leis, exploram os serviços sociais, fazem paródias de nossa política e de nossos tribunais.
Geralmente, mordem a mão que os alimenta.

Autor Desconhecido


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Em nome de Deus

*Uma investigação em torno do assassinato de João Paulo I.

Tarde da noite de 28 de setembro ou cedo na manhã de 29 de setembro de 1978, o Papa João Paulo I, Albino Luciana, conhecido como o Papa Sorriso, morreu quando fazia apenas 33 dias que fora eleito. A causa da morte - sem o laudo pericial de uma autópsia - foi anunciado pelo Vaticano à imprensa mundial como tendo sido um "infarto do miocárdio". David Yallop começou a investigar essa morte a pedido de pessoas residentes na Cidade do Vaticano, inconformadas com o silêncio que pesava sobre as verdadeiras circunstâncias a respeito da descoberta do corpo do Papa. Durante a contínua e intensa pesquisa que realizou nos três anos seguintes, Yallop iria descobrir - como Albino Luciani havia descoberto durante seu pontificado - a existência de uma cadeia de corrupção, ligando figuras de proa nos círculos financeiros, políticos, clericais e do crime numa conspiração de âmbito mundial. Um feroz inimigo da corrupção, a despeito de seu modo humilde e cortês, Albino Luciani não chegou a viver para colocar em ordem a casa que agora chefiava.
O novo Papa havia iniciado uma revolução. Havia ordenado uma investigação no Banco do Vaticano, e especificamente nos métodos empregados pelo seu Presidente, o Bispo Paul Marcinkus. Ele estava a ponto de efetuar uma radical mudança de postos no staff do Vaticano e havia discutido uma lista de remoções com o seu Secretário de Estado, o Cardeal Jean Villot (cujo nome constava da lista), na última noite da sua vida. Essa lista tinha relação direta com outra em poder do Papa - uma lista de clérigos dentro do Vaticano que pertenciam à Maçonaria - fato que por si só justificava imediata excomunhão da Igreja Católica Romana. Luciani sabia também de um informal e ilegal ramo da Maçonaria, chamado P2, que se estendendo muito além dos limites da Itália, na sua acumulação de riqueza e poder, havia certamente penetrado no Vaticano, envolvendo padres, bispos e até mesmo cardeais. Causava, porém, alarme talvez ainda maior o fato de que Luciani estava planejando adotar uma posição liberal na controvertida questão do controle da natalidade. Em flagrante contraste com a impressão mais tarde dominante da inflexibilidade do Papa com respeito a esse tópico, Luciani havia de fato planejado receber no mês seguinte uma delegação do Congresso americano enviada pelo Departamento de Estado para discutir a questão do controle populacional.
Seis homens em particular tinham razões poderosas para quererem controlar as atividades do Papa João Paulo I. Além do Bispo Marcinkus e do Cardeal Villot, no Vaticano, o banqueiro siciliano Michele Sindona estava em Nova York resistindo às tentativas do Governo Italiano de conseguir sua extradição A rede de irregularidades no Banco do Vaticano, que a nova investigação do Papa iria inevitavelmente revelar, incluía a "lavagem" do dinheiro da Máfia, com isso levando o assunto de volta a Sindona, através de suas antigas ligações com Roberto Calvi. Em Chicago, o chefe da mais rica arquidiocese do mundo, Cardeal Cody, estava a pique de ser removido pelo novo Papa. Sobre pelo menos três desses homens pairava a sombra de um outro, Licio Gelli - o "Titereiro", que controlava a loja maçônica P2 e através dela controlava a Itália.
As revelações de David Yallop mostram em detalhes as atividades financeiras criminosas que levaram ao suborno, chantagem e, indo além em mais de uma oportunidade, ao assassinato. Yaliop está convencido de que o assassinato era o destino que aguardava o Papa João Paulo I, Albino Luciani, e apresenta neste livro as provas de sua convicção.
O primeiro livro de David Yallop, To Encourage the Others (Para Encorajar os Outros), levou o Governo Britânico a reabrir um caso de homicídio, cujo processo estava oficialmente encerrado na justiça havia 20 anos. O livro provocou acalorados debates na TV inglesa, na Câmara dos Lordes e pronunciamento de diversos escritores, restando ao fim da polêmica a convicção pública de que houvera um grave erro judiciário. Seu segundo livro, The Day the Laughter Stopped (O Dia em que o Riso Parou), foi aclamado nos dois lados do Atlântico como a biografia definitiva e a reabilitação póstuma do comediante do cinema mudo Roscoe (Fatty) Arbuckle, que ficou conhecido no Brasil com o apelido de Chico Bóia. Essa obra esclareceu o mistério de um homicídio praticado havia 50 anos. Deliver Us From Evil (Livrai-nos do Mal) foi estimulado pelo desejo de Yallop de pôr um homem na cadeia, o tristemente célebre Estripador de Yorkshire, homicida que durante mais de cinco anos zombou dos esforços da policia britânica para identificá-lo. As conclusões do autor, certíssimas, resultaram na prisão do criminoso, após uma série horrenda de crimes em que as vítimas foram sempre mulheres. Pouco depois disso, David Yallop, nascido católico romano, foi solicitado a investigar a morte do Papa João Paulo I.

Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.” – Salmos, 137:9 – Vôte!!!
 *Prefacio do livro de David Yallop “Em Nome de Deus,” uma investigação sobre a verdadeira causa da morte de João Paulo I.
É uma verdadeira máfia esse tal Vaticano.

domingo, 10 de setembro de 2017

Seres Humanos


Seres humanos nunca pensam por si mesmos, acham muito desconfortável.
Na maior parte, os membros de nossa espécie simplesmente repetem o que lhes é dito - e ficam aborrecidos quando expostos a qualquer ponto de vista diferente.
O traço característico humano não é o conhecimento, mas a conformidade, e a característica resultante é a guerra religiosa.
Outros animais lutam por território ou comida; mas, singularmente no reino animal, os seres humanos lutam por suas crenças.
A razão é que as crenças guiam o comportamento, que tem uma importância evolucionária entre os humanos. Mas numa época onde o nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para assumir que temos qualquer conhecimento.
Somos conformistas teimosos e auto-destrutivos.
Qualquer outro ponto de vista da nossa espécie é apenas uma ilusão auto-congratulatória.

Michael Crichton

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Acredito


Eu acredito no tempo, na matéria e energia que constroem o mundo.
Eu acredito na razão, nas evidencias e na mente humana, as únicas ferramentas que possuímos; elas são produto das forças da natureza em um universo majestoso, porém impessoal; maiores e mais ricos do que podemos imaginar.
Uma fonte de oportunidades infindáveis para descoberta.
Eu acredito no poder da dúvida; não busco reafirmações, ao invés disso eu abraço o questionamento e luto para desafiar minhas próprias crenças.
Eu aceito a mortalidade humana.
Temos apenas uma vida, curta e preenchida com lutas, fermentada com amor e comunidade, aprendizado e exploração, beleza e a criação de uma nova vida, novas artes e ideias.
Eu me alegro com a vida que tenho, e com a grandeza de um mundo que me precedeu e que continuará sem mim.

P Z Myers

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Para Refletir.


Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, Senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar.
- Para que servem as leis? Perguntou o professor - Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Nelson - Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.
Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A influencia da religião na moral do indivíduo

Se uma pessoa ainda não entendeu que a crueldade é errada, não descobrirá isso lendo a Bíblia ou o Corão , já que esses livros transbordam de celebrações da crueldade, tanto humana quanto divina.
Não tiramos nossa moralidade da religião. Decidimos o que é bom recorrendo a intuições morais que são embutidas em nós e refinadas por milhares de anos de reflexão sobre as causas e possibilidades da felicidade humana.
Nós fizemos um progresso moral considerável ao longo dos anos, e não fizemos esse progresso lendo a Bíblia ou o Corão mais atentamente. Ambos os livros aceitam a prática de escravidão, e ainda assim seres humanos civilizados agora reconhecem que escravidão é uma abominação. Tudo que há de bom nas escrituras  pode ser apreciado por seu valor ético, sem a crença de que isso nos tenha sido transmitido pelo criador do universo.

Batismo


"O batismo de crianças é quase um lapso freudiano da igreja católica, pois representa seu desejo não tão inconsciente de lavar cérebros!"

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Bomba Atômica de Hiroshima – o que não contaram para você

Soldado japonês em uma de suas tarefas rotineiras, matar crianças chinesas com a baioneta

ATENÇÃO – FORTE CONTEÚDO GRÁFICO
A propaganda da União Soviética tem dois enormes sucessos em reescrever a história do mundo ocidental. O segundo é a transformação de Israel em um estado nazista, inimigo de todos, principalmente dos palestinos, uns 20 anos depois da União Soviética ter sido uma das mais importantes apoiadoras da Partilha da Palestina. Dizem os historiadores de esquerda que a URSS jamais apoiou Israel e o voto pela Partilha era apenas para complicar a vida da Inglaterra.
O primeiro grande sucesso criado no auge da Guerra Fria foi o de transformar os Estados Unidos, o grande inimigo capitalista dos soviéticos, no carrasco cruel dos japoneses. Através de seus aliados oficiais e dos integrantes de partidos comunistas na mídia ocidental, a história da guerra do Pacífico foi reescrita, para deixar uma marca indelével, principalmente nos alunos das escolas ocidentais de que toda a população de Hiroshima e Nagazaki, pobres e pacíficos civis japoneses, foram fulminados e queimados por duas terríveis bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos. A propaganda transformou os carrascos japoneses, gente que tinha profundo desprezo pela sua própria vida e consideração zero com a vida do inimigo, em santos homens abatidos pelo capitalismo. E a cada ano, no dia 6 de agosto vemos a mesma lenga-lenga de revisionismo histórico soviético ser repetida a um ponto que já se tornou a verdade incontestável.
Mas esta não é a verdade dos fatos.
É um erro imaginar que a entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial se dá com o ataque a Pearl Harbour, no Havaí em 7 de dezembro de 1941. O Japão era um país governado por um imperador com status de Deus, ao qual todos os cidadãos juravam fidelidade e colocavam suas vidas à disposição. O desprezo pela vida em nome do imperador e da honra japonesa era incutido nas pessoas desde a mais tenra idade, tanto nas escolas, quanto nos lares. Sendo liderados por Deus, os japoneses cresciam com a certeza de serem a raça superior no planeta e que todas as outras raças eram consideradas de segunda classe ou mesmo com animais não-humanos. Pode-se dizer que o regime japonês era uma mistura de teocracia com culto à personalidade e fascismo militar.
A Segunda Guerra Mundial no Pacífico se inicia antes da Europa, em 7 de julho de 1937 quando a China é invadida por tropas japonesas. A maioria dos historiadores dissocia (sabe-se lá porque) a Guerra Sino Japonesa do bojo da Segunda Guerra Mundial. Ela durou até o dia 9 de setembro de 1945, portanto foi encerrada longos 20 dias após a rendição japonesa. Antes disso, desde 1931, o Japão já ocupava a Manchuria. No final do ano de 1937 as tropas japonesas venceram suas duas mais importantes batalhas e ocuparam Xangai e a capital chinesa, Nanking. As forças japonesas envolvidas nestes 8 anos de guerra chegaram aos 4.100.000 homens, somando-se a eles cerca de 900.000 chineses colaboradores.
Mulheres chinesas estupradas e mortas empilhadas junto com seus pequenos filhos mortos pelos soldados japoneses numa escadaria em Chunking

Ao ocupar Nanking, as tropas japonesas lançaram um programa para executar soldados chineses em roupas civis. O número de estupros de mulheres foi imenso, tudo foi saqueado, e as execuções sumárias chegaram a 200.000 pessoas em seis semanas desta operação.

Dia normal para os chineses moradores de Nanking (Pequim) sob ocupação japonesa

A Guerra Sino Japonesa é responsável por um número gigantesco de mortes. Os japoneses perderam 480.000 soldados e outros 1.900.000 foram feridos. Já do lado chinês, 1.440.000 soldados foram mortos e outros 1.800.000 foram feridos, entre as tropas chinesas nacionalistas e 250.000 soldados chineses comunistas morreram, enquanto outros 290.467 foram feridos. O Japão não perdeu nenhum civil nesta guerra, enquanto matou 22 milhões de civis chineses. Por favor, leia novamente: vinte e dois milhões de civis chineses mortos pelas tropas japonesas!

Sorridente oficial japonês em meio às vítimas que acabou de matar. Na mão direita, sua espada. Na esquerda a cabeça de uma das vítimas.

Acostumado aos Seis Milhões de Judeus mortos no Holocausto, o leitor deve estar impressionado com este número e precisa se perguntar: por que nunca falam disto? Por que na China não se relembra isto? A explicação é simples. O comandante em chefe chinês era o nacionalista Chiang Kai-shek, que ao término da Segunda Guerra Mundial, começou a ser combatido pelo comandante chinês comunista, Mao Zedong. Quando Mao venceu e estabeleceu o comunismo na China e Chiang fugiu para (a hoje) Taiwan, o novo regime, em sua reforma cultural e expurgos considerou estas 22 milhões de pessoas mortas como um efeito desejável atribuindo a todas elas a pecha de serem nacionalistas, portanto anti-revolucionárias.

Oficial japonês corta a cabeça de um civil chinês enquanto outro aguarda para ser morto. Grande multidão de chineses acompanha a selvageria

Outro ponto importante para se deixar o campo de batalha sino-japonês fora dos livros é o fato de que os Nacionalistas Chineses eram apoiados pela Alemanha Nazista e as fotos de suas tropas são especificamente inconvenientes, por mostra uma resistência contra o Japão utilizando armas e uniformes alemães. Na foto em Nanjing temos uma grande massa popular e de soldados chineses nacionalistas, assistindo a execução de um oficial japonês invasor de alta patente. O chinês com uniforme e capacete nazista, disparando uma pistola Mauser alemã, observado à esquerda por dois oficiais que parecem mais saídos de Berlim que Pequim é complicada e incomoda a qualquer um.

Imagem incômoda de soldado nacionalista chinês matando com um disparo de pistola Mauser um oficial japonês. O uso de equipamento alemão pelos nacionalistas chineses faz com que não se publique sobre este teatro de guerra.

CONQUISTAS E ATROCIDADES CONTRA SUB-HUMANOS
Aos poucos os japoneses começaram a atacar todos os países asiáticos. Coreia, Indochina Francesa (Vietnã), Birmânia, Filipinas, Nova Guiné, Singapura e um grande número de ilhas. A cada conquista, novas atrocidades. Vamos enumerar apenas algumas e veja você mesmo se algo se parece com o ISIS, que também luta em nome de Deus.
Treinamento comum de soldados japoneses em países asiáticos ocupados. Ao invés de um saco com capim, um prisioneiro civil.

Fevereiro de 1942, no aeroporto da ilha de Ambon, 300 prisioneiros de guerra australianos e holandeses, escolhidos aleatoriamente no campo de prisioneiros próximo foram decapitados. 90 soldados e oficiais japoneses foram julgados por este massacre depois da guerra. Apenas quatro foram condenados a morte.

Prisioneiro norte-americano prestes a ser decapitado. Note os sorrisos de outros soldados japoneses ao fundo.

Em 14 de fevereiro de 1942 um dia antes das tropas britânicas se renderem em Singapura, o hospital militar foi alcançado pelos soldados japoneses. Os 200 soldados ingleses feridos que estavam no hospital, foram levados ao pátio e mortos com baionetas. Cinco se esconderam num esgoto e sobreviveram para contar. Quando soube do incidente, o comandante japonês, o General Yamashita, prendeu e executou seus homens que participaram do massacre.

Atividade corriqueira dos Kempeitai, a SS japonesa. Percorrer as vilas do interior assassinando civis com crueldade.

As tropas japonesas equivalentes à SS eram os Kempeitai. Entre fevereiro e março 1942, foram os autores da Operação Sook Ching (Purificar Através da Limpeza Étnica) em Singapura. Percorram aldeias no interior do país, assassinando 100.000 civis.

Gloriosos, orgulhosos e limpinhos Kempeitai, o equivalente nipônico da SS nazista

Na ilha de Palau em 14 de dezembro de 1944, a guarnição japonesa imaginou que os americanos haviam desembarcado na ilha (o que não ocorreu) e mandaram seus 150 prisioneiros americanos entrarem em trincheiras. Em seguida jogaram gasolina sobre eles e os queimaram. Os que tentaram fugir das chamas foram mortos à baioneta, a tiros ou a porretadas. Cerca de 10 soldados americanos, ainda assim conseguiram fugir, se jogar no mar e nadar até outra ilha.
Em 18 de março de 1943, um destróier japonês foi enviado para transportar um grupo de 60 missionários alemães e chineses aliados de Kairuru para Rabaul. No meio da viagem o comando da marinha ordenou por rádio que todos fossem executados acusando-os de espionagem. O capitão do navio de guerra, levou os prisioneiros, um a um para a parte de trás do navio, onde foram executados com um tiro na cabeça e lançados ao mar. Duas crianças que estavam com o grupo foram jogadas vivas ao mar. A execução durou mais de 3 horas.
Em um acampamento militar japonês na China, coveiros vestindo roupas com suásticas orientais não nazistas, conduzem carroça com corpos de mulheres chinesas estupradas por soldados e depois mortas.

Em 18 de março de 1944, um navio de guerra japonês afundou o navio mercante inglês Behar no Oceano Índico. 108 tripulantes e passageiros sobreviveram. A noite, o capitão japonês dividiu o grupo. Colocou 36 deles, incluindo o capitão inglês e seus oficias em outro barco e os libertou. Os outros 72, praticamente todos civis, foram considerados ‘prisioneiros inúteis’, decapitados e tiveram seus corpos jogados ao mar. Posteriormente o capitão japonês foi enforcado por crimes de guerra.
Em 26 de março de 1944 um submarino japonês afundou um navio mercante holandês na região de Sri Lanka. 103 tripulantes sobreviveram e foram massacrados com espadas e marretas. Os que não tinham morrido foram deixados sobre o casco do submarino que mergulhou com a intenção de afoga-los. Ainda assim, cinco sobreviveram.
Civis numa vala sendo mortos à baioneta por soldados japoneses enquanto outros soldados se reúnem para não perder a diversão.

Entre fevereiro e março de 1945, quando os americanos retomavam as Filipinas e chegaram a capital Manila, o general Yamashita ordenou a retirada das tropas, mais dois almirantes no comando local recusaram as ordens e mandaram as tropas resistirem até a morte. Os americanos apenas lançaram alguns ataques de artilharia contra posições japonesas, inicialmente e as tropas de ocupação começaram a pilhar, estuprar e matar os civis filipinos, decapitando-os, matando-os com baionetas, metralhando grupos inteiros e ateando fogo em prédios cheios de gente. No final da batalha, todos os japoneses estavam mortos e com eles 100.000 civis filipinos. Manila foi a segunda cidade mais destruída na guerra, perdendo apenas para Varsóvia.

Treinamento de tiro ao alvo de soldados japoneses. Ao invés de papel, prisioneiros siks em Singapura.

Se você chegou até aqui, é provável que esteja mudando sua perspectiva sobre as pobres vítimas japonesas do satan americano. Mas tem mais. Na Birmânia principalmente, mas também em outros países da região asiática as tropas japonesas treinavam tiro ao alvo contra prisioneiros civis amarrados em tocos de madeira e documentavam isso. As fotos estão aqui na matéria. Mas apenas isto não bastava à raça superior nipônica. Treinamentos com baionetas também eram realizados contra civis das áreas ocupadas e uma das fotos OFICIAIS mais perversas da guerra é a que abre esta matéria, com um bebê filipino atravessado na baioneta de um soldado japonês.
EXPERIÊNCIAS MÉDICAS
Da mesma forma que os nazistas fizeram experimentos médicos bárbaros e terríveis contra judeus em campos de concentração o Japão estava interessado em desenvolver armas biológicas e criou a Unidade 731 na China. Suas tarefas básicas era infectar prisioneiros chineses com as mais diversas doenças para estudar sua transição, velocidade de propagação e efeitos, a também o que o corpo humano suportava de altas e baixas temperaturas. Fazia parte do estudo a dissecação das vítimas que era feita não em cadáveres mais nas vítimas vivas. Cólera, febre tifoide, disenteria e antrax foram lançadas como testes sobre cidades chinesas e as epidemias duraram até 1948. Mais de 200.000 pessoas foram mortas.
ANTES DA BOMBA
Em abril de 1944 inicia-se o ataque às Ilhas Japonesas com a invasão de Iwo Jima. Esta batalha, demonstraria em definitivo o conceito japonês não só de lutar até a morte, mas de lançar-se a morte sem objetivo militar para morrer e não ser capturado, além do simples suicídio ritual de soldados que não entraram em combate e não foram mortos pelo inimigo.
Em 38 dias de batalha por uma pequena ilha de cinzas vulcânicas, praticamente plana com uma montanha em uma de suas extremidades, os americanos desembarcaram 70.000 soldados dos quais 26.638 foram baixas, incluindo 7 mil mortos (10%) da força de ataque. Por seu lado, a defesa contava com 21.000 soldados japoneses, dos quais apenas 1%, 216 homens, foram capturados. 3.000 ficaram escondidos em cavernas e bunkers e foram aparecendo ao longo do tempo muito depois da batalha terminar e todos os outros morreram. A relação entre ataque e defesa foi de 3,3 soldados atacando para cada defensor.
Depois disso foi a vez da Ilha de Okinawa, a maior ilha mais ao sul do Japão, com terreno diversificado, florestas, montanhas população local etc. Apesar desta batalha ser mais importante para entender a lógica que levou ao emprego das armas nucleares, Ivo Jima é que é retratada pelo cinema.
Se os americanos acharam que os 38 dias de Ivo foram muito, Okinawa levou 82 dias, terminando no meio de junho de 1944 menos de dois meses antes da Bomba. Os americanos, desta vez lançaram 250.000 soldados contra ilha, dos quais 5% morreram (12.520) e outros 82.000 ficaram feridos).
A defesa japonesa foi também um teste para o Império em como defender as ilhas principais, o passo lógico seguinte na guerra. Havia 77.000 soldados regulares na ilha e 40.000 civis foram alistados e armados para a defesa. 24 mil deles compuseram uma milícia chamada Boeitai, 15.000 trabalhadores lutaram sem uniformes, 1.500 alunos de escolas, menores de idade, compuseram uma unidade de combates chamadas de “Ferro e Sangue”. Sete ataques com aviões kamikaze foram lançados contra as tropas de invasão envolvendo 1.500 aeronaves. Sem contar com estes pilotos mortos, os homens em armas no solo chegaram a 117.000, dos quais somente 6% (7.000) foram capturados. Os outros 110.000 foram mortos ou se mataram em ataques sem efeito militar ou em rituais de suicídio. Adicionalmente, 150.000 civis morreram.
Okinawa é definidor para compreender as bombas atômicas. Os americanos lançaram 2,3 soldados no ataque para cada soldado na defesa. Porcentagem praticamente 50% menor que na batalha anterior.
Os japoneses tinham 3 milhões de soldados para defender suas ilhas principais, mais o esquema de milícias de adultos e adolescentes, mais mulheres treinadas para atacar os invasores satânicos com lanças de bambu. Mantida a proporção de Okinawa, o que é uma estimativa baixa, haveria mais de 5 milhões de soldados e civis armados à espera das tropas norte-americanas. Para garantir a força de 2,3 para um, os americanos deveriam obrigatoriamente desembarcar 11,5 milhões de soldados no Japão, força que não existia, que se existisse não poderia ser nem transportada nem abastecida. Portanto, pela experiência de Okinawa, mesmo com a certeza confortável de vencer um inimigo que preferia desperdiçar suas tropas a obter ganhos reais, um ataque em tal escala era simplesmente impossível.
Ainda assim as baixas ao nível de Okinawa previstas para 37% atingiriam o número assustador de 4.255.000 americanos, dos quais, 1.100.000 seriam mortos. Totalmente inviabilizador. Pelo lado japonês as baixas esperadas seriam de 4.700.000 soldados mortos outros 7.000.000 de civis mortos.
Estes números não são exatos, mas simplesmente uma extrapolação estratégica em relação a última batalha com uma perspectiva OTIMISTA. Numa abordagem pessimista os números seriam consideravelmente maiores. Conta semelhante foi realizada tanto pelo comando americano quando pelo japonês, que sentiu-se MUITO CONFORTÁVEL com a perspectiva, que demonstrava claramente que os americanos não teriam nem homens nem equipamentos para conquistar o Japão e que este impacto de 12 milhões de vítimas japonesas nunca se realizaria, mas se fosse necessário poderia ser absorvido e ainda estava muito longe dos mais de 22 milhões de civis chineses que os nipônicos mataram.
A SUBMISSÃO PELO ATAQUE AÉREO
Tanto alemães quanto aliados tinham como estratégia de guerra a destruição das principais cidades uns dos outros imaginando que isso iria gerar um desejo nas populações civis de depor suas lideranças e terminar a guerra, rendendo-se ao inimigo. Era o pensamento vigente naquela época. Os alemães jamais construíram bombardeios capazes de realizar tal missão e apelaram para mísseis. Primeiro com as bombas voadores V1, depois com as V2. Já os britânicos e americanos desenvolveram vários modelos capazes de arrasar cidades. Esta estratégia jamais deu certo pois o atacado sempre usa o ataque contra si, como arma de propaganda para demonstrar a barbárie e o desprezo pela vida por parte do inimigo, e a população atingida fica apenas com mais vontade de resistir e levar seu país à vitória.
Com o Japão não foi diferente. A captura de Ivo Jima, permitiu que os americanos enviassem caças para escoltar seus bombardeiros contra o Japão. Cidade após cidade foi bombardeada com milhares de toneladas de bombas. Os americanos utilizavam napalm e incendiárias de fósforo branco nestes ataques. As construções japonesas baseadas em madeira e papel eram um alvo perfeito para isso.
Tóquio, a capital japonesa e onde vivia o Imperador Deus, foi bombardeada de 17 de novembro de 1944 ao dia da rendição japonesa, 15 de agosto de 1945. O total estimado de mortos nesta campanha foi de 200.000 e não há dados disponíveis sobre o total de feridos. Um milhão de pessoas perderam suas casas. Na noite do dia 9 para 10 de março de 1945, 334 aviões de bombardeio B-29 dos quais apenas 279 conseguiram atacar a cidade, lançaram 1.655 toneladas de bombas, incluindo ‘cluster bombs’ de 230 kg que liberavam 38 bombas menores incendiárias de napalm. Foram mortas 100.000 pessoas neste único ataque, considerado o mais devastador da história. Outras 125.000 ficaram feridas. Neste momento Tóquio possuía cerca de 6 milhões de habitantes, portanto as baixas foram de 3,7%. Mesmo com a capital devastada e alguns militares de alta patente questionando a falta de necessidade destas mortes indicando a rendição, o grupo militar e político que pretendia a luta a até a morte e contava com aquelas projeções da ‘invasão impossível’ que você leu acima prevaleceu.
Kyoto, por ser uma cidade histórica, foi poupada. Posteriormente incluída como quarta cidade para o ataque nuclear, foi descartada também.
O ATAQUE NUCLEAR
Igualmente, os americanos tinham a certeza de que não poderiam invadir as ilhas. O que se vende para as pessoas como ‘desculpa’ para o ataque nuclear, é uma simplificação do conceito de que “lançaram a bomba para salvar vidas americanas”. Neste estudo, onde apresentamos uma complicação deste conceito, você já entendeu que as coisas eram diferentes do que as pessoas imaginam que são.
O programa nuclear norte-americano levado da teoria à prática por vários cientistas judeus, baseados na ‘física degenerada’ de outro judeu, Albert Einstein, cujos estudos e trabalhos foram queimados na Alemanha Nazista (ainda bem), visava atacar a Alemanha e não o Japão. Mas a guerra na Europa acabou antes da primeira bomba estar operacional e ser testada.
Quando o presidente Truman recebeu a informação, ainda durante a Conferência de Potsdam na Europa de que a bomba de teste, chamada Trinity (Trindade), foi muito mais bem sucedida que qualquer um pudesse imaginar, ele ordenou a entrega de um ultimato ao Japão exigindo a rendição. Tal documento foi considerado pelos japoneses como uma atitude arrogante do ‘inimigo impossível’ e a guerra continuou. Truman mandou atacar.
No início de agosto de 1945 havia apenas duas cidades classificadas como médias e grandes no Japão que ainda não tinham sido destruídas por bombardeios convencionais: Hiroshima e Nagazaki. A imagem que é passada quando se fala apenas sobre Hiroshima é que teria sido uma escolha aleatória para levar o fogo do inferno aos civis japoneses. Mas só havia duas escolhas. A terceira cidade, definida com alvo era Kokura a de menor população entre as três, com 150.000 habitantes onde havia 2.800 prisioneiros de guerra americanos, ingleses e holandeses. 1.500 deles chegaram de navio na manhã do dia 9 de agosto, portanto o comando americano nem sabia disto. Kokura possuía um dos arsenais onde eram fabricados os fuzis e baionetas no exército. A praticamente impossível se definir que qualquer cidade pequena, média ou grande japonesa deixava de possuir algum alvo militar legítimo.
Ao contrário da propaganda soviética pós-guerra introjetada no inconsciente coletivo do mundo até hoje, Hiroshima não era uma cidade civil. No Japão ela era conhecida como Cidade Exército. É exatamente ao contrário do que a propaganda afirma. Hiroshima era a base do Segundo Exército Geral e do Exército Regional de Chugoku. O quartel general dos fuzileiros navais japoneses também se localizava lá. No momento do ataque nuclear em 6 de agosto de 1945 havia cerca de 350.000 habitantes e militares na cidade. 80.000 foram mortos imediatamente e até o final de 1945 outros 166.000 morreram em decorrência de ferimentos e radiação. Ainda assim, 104.000 sobreviveram, 29% da população. 77% dos prédios e casas da cidade foram destruídos. A cidade era praticamente plana.
O prédio da escola sobreviveu em Hiroshima e foi preservado como memorial. Foto de Ronaldo Gomlevsky que esteve lá em 2010

Após este ataque novo ultimato para rendição foi enviado ao Japão, mas suas lideranças políticas e militares consideraram o ataque apenas como um novo formato com perdas aceitáveis, se bem que ainda não contabilizadas e entendidas corretamente. Naquele momento nem quem atacou nem quem foi alvo tinha qualquer ideia dos efeitos da radiação que afetaria os sobreviventes e mataria o dobro de pessoas em relação as que morreram pela explosão. Dentro da previsão da “invasão impossível”, o alto comando nipônico decidiu ignorar os americanos e manter a guerra.

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Aspecto de Nagazaki após o ataque nuclear

Truman ordena então a utilização da segunda bomba atômica. No dia 8 de agosto a União Soviética declara guerra ao Japão. O alvo seria Kokura, mas estava encoberto e as ordens obrigavam pontaria visual e não por radar. Os Bs-29 do segundo ataque se dirigiram então para o alvo restante, Nagasaki, distante 100 km. Militarmente era uma cidade muito mais importante. Nagazaki possuía importantes estaleiros, a siderúrgica e fábricas de explosivos, armas e aviões de combate da Mitsubishi. Em 9 de agosto, dia do ataque nuclear havia 263.000 pessoas na cidade: 240.000 japoneses civis, 9.000 soldados, 10.000 residentes coreanos, 2.500 prisioneiros escravos coreanos, 600 chineses prisioneiros escravos e 400 prisioneiros de guerra aliados. O total de mortos atribuídos a explosão, ferimentos e radiação até o final do ano é de 80.000, ou seja 33%. A cidade não era plana, possuindo colinas e elevações.
Um terceiro ultimato foi enviado por Truman para Tóquio. E o alto comando japonês se dividiu. Os civis queriam a rendição e os militares queriam a luta até a morte de todas. Não houve consenso e o primeiro ministro japonês decidiu ser ousado e foi levar a questão pela primeira vez ao Imperador Deus Hiroito. Sabendo possuir a palavra final sobre todas as questões no Japão, e ainda com milhões de soldados ativos e não derrotados no continente, o Imperador decidiu dar um basta na carnificina e ordenou a rendição, não imediatamente, pois Tóquio continuava sendo bombardeada diariamente desde o dia 10 de agosto e havia um temor de que a próxima bomba atômica atingisse a já depauperada capital. Não sabiam os japoneses que sua capital não foi atacada desta forma por que não existiam outras bombas atômicas. As três construídas já haviam explodido.
No dia 15 o Japão se rendeu, com uma condição perversa, a de que o Imperador não fosse preso e julgado pelos crimes de guerra que suas tropas cometeram. Quem pregava um império de mil anos na Europa matou-se com um tiro na cabeça e quem pregava no Japão, ao seu povo o suicídio em seu nome não se matou, não foi julgado e foi mantido no poder, sucedido por seus descendentes até hoje.
A foto mais terrível da Segunda Guerra Mundial. Com um golpe de espada um oficial japonês corta o pescoço de uma jovem mãe chinesa nua e ensanguentada após cortar a cabeça do bebê dela inutilmente protegido em seus braços.

Uma consideração final. Da mesma forma que Stalin firmou um pacto de não agressão com Hitler, aliando inicialmente comunistas e nazistas, que chegaram a ocupar a Polônia simultaneamente, pacto este só desfeito quando a Alemanha decidiu invadira a União Soviética, os comunistas também possuíam um pacto de não-agressão com os fascistas-teocráticos japoneses, rompido apenas no dia 5 de agosto de 1945.

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