domingo, 15 de outubro de 2017

Três dias para ver!


O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão?
Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader's Digest (Seleções)

Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. "Nada de especial", foi à resposta.
Como é possível, pensei caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.
Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.
Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer à pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas "janelas da alma", os olhos. Só consigo "ver" as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.
Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!
O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra - os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tato as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tato. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso.
Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.
Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.
Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contato fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.

Helen Keller

Fonte: www.lerparaver.com (Site na qual se trata da deficiência visual)
Texto: Seleções Reader's Digest - Junho/2002
Cortesia de José Pedro Amaral 


domingo, 17 de setembro de 2017

Paradoxos difíceis de entender


Os muçulmanos não estão felizes...

· Eles não estão felizes em Gaza.
· Eles não estão felizes na Cisjordânia.
· Eles não estão felizes no Egito.
· Eles não estão felizes na Líbia.
· Eles não estão felizes na Argélia.
· Eles não estão felizes na Tunísia. 
· Eles não estão felizes em Marrocos.
· Eles não estão felizes no Iêmen.
· Eles não estão felizes no Iraque.
· Eles não estão felizes no Afeganistão.
· Eles não estão felizes na Síria.
· Eles não estão felizes no Líbano.
· Eles não estão felizes no Sudão.
· Eles não estão felizes na Jordânia.
· Eles não estão felizes no Irã.
· Eles não estão felizes na Somália.
· Eles não estão felizes no Paquistão.
· Eles não estão felizes em Bangladesh... etc.
A grande maioria quer fugir de lá para se refugiar em outras terras...
Onde os muçulmanos estão felizes?
Eles estão felizes na Inglaterra.
Eles estão felizes na França.
Eles estão felizes na Itália.
Eles estão felizes na Alemanha.
Eles estão felizes na Suécia.
Eles estão felizes na Holanda.
Eles estão felizes na Dinamarca.
Eles estão felizes na Bélgica.
Eles estão felizes na Noruega.
Eles estão felizes em U.S.A.
Eles estão felizes no Canadá.
Eles estão felizes na Austrália.
Eles estão felizes na Nova Zelândia.
Eles estão felizes em qualquer outro país no mundo que não está sob um governo muçulmano.
E quem eles culpam por estarem infelizes?
Resposta: Os países onde eles são felizes!
Eles não culpam: 
· O sistema opressor do Islã.
· A liderança Islâmica corrupta.
· Nem a si mesmos...
Eles culpam os países onde estão vivendo e tendo liberdade. 
Isso é tão verdadeiro... 
A democracia é realmente boa para eles, mas eles dizem que a democracia vai contra o Islã. 
A democracia permite a eles viverem confortavelmente, aproveitar a alta qualidade de vida que eles não trabalharam para ter... 
Podem até manter seus costumes. Desobedecem às leis, exploram os serviços sociais, fazem paródias de nossa política e de nossos tribunais.
Geralmente, mordem a mão que os alimenta.

Autor Desconhecido


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Como os africanos se tornavam escravos


Os portugueses e outros compradores de escravos, nunca guerrearam com os africanos. Eles compravam os negros no porto da África, negociando com os próprios africanos de tribos dominantes, que invadiam e aprisionavam seus semelhantes, de tribos menores, tornando-os escravos.
Como os africanos se tornavam escravos?
Quando os portugueses chegaram à África, encontraram um mercado africano de escravos largamente implementado e bastante extenso.
Os africanos eram escravizados por seus semelhantes, de tribos mais fortes, por diversos motivos antes de serem adquiridos:

- por serem prisioneiros de guerra;
- Penhora: as pessoas eram penhoradas como garantia para o pagamento de dívidas;
- Rapto individual ou de um pequeno grupo de pessoas no ataque a pequenas vilas;
- Troca de um membro da comunidade por comida;
- Como pagamento de tributo a outro chefe tribal.
Ainda quando estavam em África, estima-se que a taxa de mortalidade dos africanos no percurso que faziam desde o local em que eram capturados pelos mercadores de escravos locais até ao litoral onde eram vendidos aos europeus era superior à que ocorria durante a travessia do Atlântico. Durante a travessia, a taxa de mortalidade, embora menor do que em terra, até o final do século XVIII se manteve assustadora, com maior ou menor incidência dependendo das epidemias, das rebeliões e suicídios levados a cabo pelos escravizados, das condições existentes a bordo, bem como do humor do capitão e tripulação de cada navio negreiro. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Em nome de Deus

*Uma investigação em torno do assassinato de João Paulo I.

Tarde da noite de 28 de setembro ou cedo na manhã de 29 de setembro de 1978, o Papa João Paulo I, Albino Luciana, conhecido como o Papa Sorriso, morreu quando fazia apenas 33 dias que fora eleito. A causa da morte - sem o laudo pericial de uma autópsia - foi anunciado pelo Vaticano à imprensa mundial como tendo sido um "infarto do miocárdio". David Yallop começou a investigar essa morte a pedido de pessoas residentes na Cidade do Vaticano, inconformadas com o silêncio que pesava sobre as verdadeiras circunstâncias a respeito da descoberta do corpo do Papa. Durante a contínua e intensa pesquisa que realizou nos três anos seguintes, Yallop iria descobrir - como Albino Luciani havia descoberto durante seu pontificado - a existência de uma cadeia de corrupção, ligando figuras de proa nos círculos financeiros, políticos, clericais e do crime numa conspiração de âmbito mundial. Um feroz inimigo da corrupção, a despeito de seu modo humilde e cortês, Albino Luciani não chegou a viver para colocar em ordem a casa que agora chefiava.
O novo Papa havia iniciado uma revolução. Havia ordenado uma investigação no Banco do Vaticano, e especificamente nos métodos empregados pelo seu Presidente, o Bispo Paul Marcinkus. Ele estava a ponto de efetuar uma radical mudança de postos no staff do Vaticano e havia discutido uma lista de remoções com o seu Secretário de Estado, o Cardeal Jean Villot (cujo nome constava da lista), na última noite da sua vida. Essa lista tinha relação direta com outra em poder do Papa - uma lista de clérigos dentro do Vaticano que pertenciam à Maçonaria - fato que por si só justificava imediata excomunhão da Igreja Católica Romana. Luciani sabia também de um informal e ilegal ramo da Maçonaria, chamado P2, que se estendendo muito além dos limites da Itália, na sua acumulação de riqueza e poder, havia certamente penetrado no Vaticano, envolvendo padres, bispos e até mesmo cardeais. Causava, porém, alarme talvez ainda maior o fato de que Luciani estava planejando adotar uma posição liberal na controvertida questão do controle da natalidade. Em flagrante contraste com a impressão mais tarde dominante da inflexibilidade do Papa com respeito a esse tópico, Luciani havia de fato planejado receber no mês seguinte uma delegação do Congresso americano enviada pelo Departamento de Estado para discutir a questão do controle populacional.
Seis homens em particular tinham razões poderosas para quererem controlar as atividades do Papa João Paulo I. Além do Bispo Marcinkus e do Cardeal Villot, no Vaticano, o banqueiro siciliano Michele Sindona estava em Nova York resistindo às tentativas do Governo Italiano de conseguir sua extradição A rede de irregularidades no Banco do Vaticano, que a nova investigação do Papa iria inevitavelmente revelar, incluía a "lavagem" do dinheiro da Máfia, com isso levando o assunto de volta a Sindona, através de suas antigas ligações com Roberto Calvi. Em Chicago, o chefe da mais rica arquidiocese do mundo, Cardeal Cody, estava a pique de ser removido pelo novo Papa. Sobre pelo menos três desses homens pairava a sombra de um outro, Licio Gelli - o "Titereiro", que controlava a loja maçônica P2 e através dela controlava a Itália.
As revelações de David Yallop mostram em detalhes as atividades financeiras criminosas que levaram ao suborno, chantagem e, indo além em mais de uma oportunidade, ao assassinato. Yaliop está convencido de que o assassinato era o destino que aguardava o Papa João Paulo I, Albino Luciani, e apresenta neste livro as provas de sua convicção.
O primeiro livro de David Yallop, To Encourage the Others (Para Encorajar os Outros), levou o Governo Britânico a reabrir um caso de homicídio, cujo processo estava oficialmente encerrado na justiça havia 20 anos. O livro provocou acalorados debates na TV inglesa, na Câmara dos Lordes e pronunciamento de diversos escritores, restando ao fim da polêmica a convicção pública de que houvera um grave erro judiciário. Seu segundo livro, The Day the Laughter Stopped (O Dia em que o Riso Parou), foi aclamado nos dois lados do Atlântico como a biografia definitiva e a reabilitação póstuma do comediante do cinema mudo Roscoe (Fatty) Arbuckle, que ficou conhecido no Brasil com o apelido de Chico Bóia. Essa obra esclareceu o mistério de um homicídio praticado havia 50 anos. Deliver Us From Evil (Livrai-nos do Mal) foi estimulado pelo desejo de Yallop de pôr um homem na cadeia, o tristemente célebre Estripador de Yorkshire, homicida que durante mais de cinco anos zombou dos esforços da policia britânica para identificá-lo. As conclusões do autor, certíssimas, resultaram na prisão do criminoso, após uma série horrenda de crimes em que as vítimas foram sempre mulheres. Pouco depois disso, David Yallop, nascido católico romano, foi solicitado a investigar a morte do Papa João Paulo I.

Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.” – Salmos, 137:9 – Vôte!!!
 *Prefacio do livro de David Yallop “Em Nome de Deus,” uma investigação sobre a verdadeira causa da morte de João Paulo I.
É uma verdadeira máfia esse tal Vaticano.

domingo, 10 de setembro de 2017

Seres Humanos


Seres humanos nunca pensam por si mesmos, acham muito desconfortável.
Na maior parte, os membros de nossa espécie simplesmente repetem o que lhes é dito - e ficam aborrecidos quando expostos a qualquer ponto de vista diferente.
O traço característico humano não é o conhecimento, mas a conformidade, e a característica resultante é a guerra religiosa.
Outros animais lutam por território ou comida; mas, singularmente no reino animal, os seres humanos lutam por suas crenças.
A razão é que as crenças guiam o comportamento, que tem uma importância evolucionária entre os humanos. Mas numa época onde o nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para assumir que temos qualquer conhecimento.
Somos conformistas teimosos e auto-destrutivos.
Qualquer outro ponto de vista da nossa espécie é apenas uma ilusão auto-congratulatória.

Michael Crichton

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O massacre da serra elétrica: uma lenda?

Esse é especial para os adoradores dos filmes de terror. Quem aprecia esse gênero, com certeza já assistiu ao “massacre da serra elétrica”. O filme é um clássico do terror, e no segundo volume mostra cenas reais do assassino.


Espera, cenas reais? Exatamente. O filme, para o desespero de alguns, não é uma ficção. O massacre realmente aconteceu no Texas, e até hoje não se sabe que fim teve o serial killer. 

 Um pouco mais sobre o assassino

Nascido em agosto de 1939, em plena 2ª Guerra Mundial, Thomas Hewitt não teve uma infância nada fácil. Depois de ter sido abandonado assim que sua mãe morreu no parto, foi adotado por uma família da região. Passou por poucas e boas sua infância e juventude, por causa de sérios problemas físicos e mentais que desenvolveu desde que nasceu. Sofreu muito bullying por todas as pessoas que o rodeava, até que em 1958 cometeu seu primeiro ato de atrocidade. Depois de ter sido vítima de mais um jovem por estar espionando ele e seus amigos, Thomas foi humilhado e agredido. Porém, respondeu a altura, e depois de deixar o rapaz inconsciente arrastou-o até a sua casa, amarrou-o e esfolou seu rosto com uma faca. Thomas foi acobertado pelos pais adotivos, que ajudaram a esconder o corpo, mas poucos dias depois receberam a visita do diretor da escola de Thomas, que quis falar sobre o comportamento agressivo do menino. Quando se preparava para ir embora, foi assassinado pelas costas pela mãe adotiva do Thomas. Fica evidente assim o ambiente em que ele vivia e as influências que tinha dentro de casa. 

 Nada mudou depois de adulto 

Em 1969, Thomas já trabalhava em um açougue, coincidentemente no local onde nasceu. Como as condições higiênicas eram péssimas, o local foi fechado e Thomas seria demitido. Com ódio no coração e nos olhos, ele assassinou seu chefe no mesmo instante, e para que não fosse preso, o tio, Charlie, assassinou o xerife e assumiu o posto. E assim a família passou durante muito tempo. Thomas assassinava suas vítimas com uma serra elétrica e usava a pele de seu rosto no seu próprio, enquanto a mãe cozinhava os corpos e servia para a família comer.


Em 1973, Thomas Hewitt cometeu vários assassinatos de jovens, causando muito terror psicológico e tortura física. Um grupo de jovens foi perseguido por ele e assassinados um a um, da maneira mais brutal possível. Uma das jovens conseguiu escapar e chamar a polícia, e quando ela invadiu a casa da família, foi atacada pelo Thomas que se escondia no porão da casa. O vídeo foi recolhido pelas autoridades americanas e uma cena é possível ser vista no segundo filme da série. 

 O que aconteceu depois? 

Thomas e sua família acabaram se refugiando em um túnel subterrâneo da cidade onde viviam. Entretanto, Thomas ainda era capaz de matar com a sua motosserra, mesmo com seus problemas físicos e mentais o degenerando cada vez mais. Certa noite encontrou dois agentes do FBI que matou no mesmo momento. As perseguições durante a noite foram muito duras e os dois agentes foram brutalmente assassinados.
Porém, uma terceira agente que conseguiu escapar nesse momento acabou sendo capturada posteriormente pelo Thomas, agora já conhecido como “Leatherface”, e jogada dentro de um caminhão. Durante a fuga, ela conseguiu ferir gravemente Thomas, e com um rápido movimento jogou-o para fora do caminhão, ainda em movimento. Com um ferimento grave na perna e a queda do veículo, ele não conseguiu mais acompanhar e ficou para trás. 


 Que fim teve Thomas Hewitt? 

Por incrível que pareça, ele ainda está vivo, e pior, solto! Foi visto há apenas 8 anos na mesma região, e aparentemente ainda consciente de seus atos. Uniu-se novamente à família Hewitt e começou a trabalhar como cozinheiro em um restaurante. Um grupo de cineastas curiosos foi atraído por sua história até o local onde vivia, e o final não poderia ser diferente. Eles provavelmente acabaram sendo servidos para o restante da família no jantar. Atualmente, não se sabe o paradeiro dele. Poderia estar em qualquer parte do mundo, mas é provável que ainda esteja em sua cidade de origem, escondido em alguma casa. Desde 2007, quando foi visto pela última vez, seus atos não foram mais registrados.

Fonte: Mundo Obscuro

http://mundoobscuro.com/2015/08/o-massacre-da-serra-eletrica-uma-lenda/

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Acredito


Eu acredito no tempo, na matéria e energia que constroem o mundo.
Eu acredito na razão, nas evidencias e na mente humana, as únicas ferramentas que possuímos; elas são produto das forças da natureza em um universo majestoso, porém impessoal; maiores e mais ricos do que podemos imaginar.
Uma fonte de oportunidades infindáveis para descoberta.
Eu acredito no poder da dúvida; não busco reafirmações, ao invés disso eu abraço o questionamento e luto para desafiar minhas próprias crenças.
Eu aceito a mortalidade humana.
Temos apenas uma vida, curta e preenchida com lutas, fermentada com amor e comunidade, aprendizado e exploração, beleza e a criação de uma nova vida, novas artes e ideias.
Eu me alegro com a vida que tenho, e com a grandeza de um mundo que me precedeu e que continuará sem mim.

P Z Myers

Médico que estagiou em hospital chinês fala de extração de órgãos de pessoa viva


O sistema médico-militar chinês, há décadas, utilizam órgãos de prisioneiros executados em transplantes de órgãos. Sempre se suspeitou que, em alguns casos, a extração do órgão foi realizada enquanto a vítima ainda estava viva para, assim, assegurar que o órgão tivesse máxima qualidade.
O relato a seguir é uma recente entrevista dada pelo sr. Wang ao jornal Epoch Times, editada por questões de brevidade e clareza, e com a adição de subtítulos. Segue o relato:
Aconteceu na década de 1990. Eu era um médico estagiando no departamento de urologia do Hospital Geral Militar de Shenyang, na província de Liaoning. Certo dia, o hospital recebeu um telefonema da Região Militar de Shenyang requisitando imediatamente uma equipe médica para uma missão militar.
De tarde, o diretor de minha divisão médica começou a convocar pessoas para essa missão. Seis funcionários do Hospital foram convocados: dois enfermeiros, três médicos e eu.
Foi-nos dito para que não nos comunicassemos com o mundo exterior até que a missão estivesse concluída e isso incluía ligar para familiares e amigos.
Fomos transportados em uma van modificada. Veículos militares escoltaram-nos; senti que íamos bastante rápido. As janelas da van foram cobertas com panos azuis para que não pudéssemos ver para onde estavam nós levando.
Chegamos a um lugar cercado de montanhas onde havia vários soldados. Um oficial militar recebeu-nos; através dele ficamos sabendo que estávamos numa prisão militar perto da cidade de Dalian.
A extração de um rim de uma pessoa viva
Na manhã seguinte, depois que uma das enfermeiras, acompanhada de dois soldados, ter tirado amostras de sangue de uma pessoa, fomos chamados para entrar na van. Paramos num lugar desconhecido; soldados armados cercaram a van.
Em seguida, quatro soldados carregaram um homem até a van e colocaram-no sobre um saco plástico preto de cerca de dois metros de comprimento.
Os pés desse homem estavam fortemente amarrados com algum tipo de fio bem fino, mas bastante resistente. O fio estava fortemente amarrado ao redor do pescoço, que sangrava, e daí ia até os braços amarrados nas costas e aos pés. Isso impedia que a pessoa pudesse se mecher.
Quando toquei as pernas da pessoa, pude sentir que elas estavam quentes.
Os médicos e as enfermeiras rapidamente se vestiram para a cirurgia. Eu era assistente deles e fiquei responsável por cortar a artéria, a veia e a ureter [o canal que liga o rim à bexiga].
A enfermeira cortou a camisa do homem e aplicou desinfetante no peito e na barriga três vezes. Em seguida, o médico, com o bisturi, cortou do subxifóide [abaixo do peito] até o umbigo. Vi as pernas do homem tremerem, mas sua garganta não pôde emitir sons.
Então, quando o médico fez a incisão na pessoa, o sangue ainda circulava, o que indicava que a pessoa ainda estava viva.
Rapidamente, os rins foram removidos. Eu cortei a artéria e veia. As ações dos médicos foram habilidosas e rápidas. Eles colocaram os dois rins em uma caixa termostática.
Quando olhei para o rosto do homem, vi nele uma expressão de terror. Eu senti como se ele estivesse olhando para mim. Suas pálpebras se moviam. Ele ainda não estava morto.
Fiquei atônito, minha mente ficou vazia. Meu corpo tremia, foi terrível!
Eu me lembrei de ter ouvido na noite passada um militar conversando com o médico responsável e dizendo “…não tem nem 18 anos. É saudável, cheio de vida”. Falavam da pessoa que estava bem diante de mim?! Nós extraímos os rins de uma pessoa ainda viva. Foi horrível!
Eu disse ao médico que eu não poderia continuar.
Em seguida, outro médico, com um fórceps, arrancou completamente os globos oculares daquela pessoa.
Eu não pude fazer nada. Eu tremia e suava; estava esgotado e perplexo.
Esperando os órgãos
Quando acabou, o médico bateu na lateral da van. Um soldado sentado no banco do passageiro da frente começou a falar via rádio. Quatro soldados logo vieram para envolver o corpo, agora mole, no saco plástico e jogá-lo em um caminhão militar.
Fomos levados rapidamente de volta ao hospital militar. Os órgãos foram entregues uma equipe médica, que estava numa sala de cirurgia,  já pronta, para realizar o transplante.
Espírito desmoronado
Sob medo extremo e choque, já em casa, eu tive uma forte febre. Eu não tive coragem de contar a ninguém o que aconteceu. Ninguém da minha família sabe disso. Logo depois dessa cirurgia, eu deixei o Hospital Geral de Shenyang Militar.
No entanto, o terror da cena estava longe de terminar. Eu testemunhei uma vida humana que foi torturada e morta bem diante de mim. A pressão mental me deixou num estado lastimável.
Durante muito tempo, não importa se de dia ou de noite, eu vi a expressão de sofrimento e terror no rosto daquele homem; é como se ele estivesse olhando para mim.
Eu nunca falei disso, porque, sempre que pensava nisso, eu queria sumir do mundo.
Quando a mídia de outros países expôs a extração forçada de órgãos de praticantes do Falun Gong [em 2006, na China], eu imediatamente soube que era tudo verdade. Tais práticas já eram realizadas no sistema militar do Partido Comunista Chinês. A perseguição ao Falun Gong apenas deu a eles uma fonte mais ampla de órgãos.



https://www.epochtimes.com.br/medico-hospital-chines-fala-extracao-de-orgaos/#.VQyJCI7F-T9

Entenda por que o mundo não impediu o genocídio de Ruanda

Em 100 dias, 800 mil pessoas morreram no país africano.
Caso é exemplo de omissão de potências internacionais.

As mortes de ruandeses da etnia tutsi pela maioria hutu começaram antes de 1994, quando ocorreu o genocídio que deixou 800 mil mortos em 100 dias no país. Desde 1990, agências humanitárias e a ONU vinham documentando matanças isoladas e a deterioração da situação no país. Quando o genocídio efetivamente começou, as lideranças políticas foram também avisadas. Então por que, dias depois da retirada de estrangeiros, a ONU não aprovou uma intervenção militar? Por que, ao invés disso, diminuiu o número das forças de paz? Há muitas respostas para a questão da omissão das potências no caso de Ruanda (veja abaixo a cronologia dos eventos em Ruanda e no mundo). De fato, houve pedidos posteriores de desculpa de governos, como o americano, que tentaram se redimir com uma boa ajuda para a reconstrução. Segundo a historiadora Cíntia Ribeiro, que pesquisou o tema no mestrado, Ruanda não despertava o mesmo interesse nas grandes potências que a Bósnia, em guerra na época. "A Bósnia, por se tratar de uma região que é importante para a Europa, teve muito mais preocupação das grandes potências do que Ruanda, um país pequeno no centro da África, que não tem nenhum recurso mineral, nenhum interesse econômico, não é nem zona de influência."


Outro fator, segundo ela, foi o fracasso de uma intervenção militar americana pouco tempo antes na Somália. "Eles tentaram uma intervenção [na Somália], mas entram no país sem um conhecimento profundo do que acontece, muito por conta de uma certa arrogância militar. [...] Eles tinham a ideia de que aquilo ia durar três meses, iam sair de lá com uma vitória completa. Um filme que retrata bem isso é 'Falcão negro em perigo'. Eles foram fazer uma operação no centro da capital e um dos helicópteros caiu. O episódio foi televisionado e a comunidade americana ficou chocada. Tudo caiu em cima do [ex-presidente Bill] Clinton. Logo depois disso ficou decidido que eles só interviriam se houvesse extremo interesse, porque ficar fazendo missão de paz só pela questão de direitos humanos não interessava, porque a vida de um soldado americano é muito mais importante. Então quando eles entram no Oriente Médio, por exemplo, é porque existe um interesse efetivo lá, é legitimada a morte de um soldado, ainda que cause grande problemática", disse a historiadora cuja dissertação “O genocídio de Ruanda e a dinâmica da omissão estadunidense” analisa a resposta americana no país africano.


Nigel Eltringham, professor de antropologia da Universidade de Sussex, no Reino Unido, também cita o fracasso da investida americana na Somália no ano anterior como um dos fatores. "Os americanos ficaram chocados com o que aconteceu em Mogadishu e o governo achou que não havia apoio da opinião pública para uma intervenção, então não apoiou o chamado de outras nações para intervir."


Segundo Eltringham, outro fator foi "uma completa falta de entendimento de que o genocídio era um ataque planejado aos tutsis (e hutus moderados) com um objetivo político claro (a manutenção do poder). Em vez de mostrar essa realidade, a imprensa reportou que o conflito era 'tribal' com 'raízes de ódio'. Ao despolitizar o conflito, a mídia deu a impressão de que era um confronto que não poderia ser resolvido, o que era incorreto."

G1

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/entenda-por-que-o-mundo-nao-impediu-o-genocidio-de-ruanda.html

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Para Refletir.


Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, Senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar.
- Para que servem as leis? Perguntou o professor - Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Nelson - Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.
Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

Uma terrível normalidade: os massacres e as aberrações da História


Nós precisamos nos esforçar de toda forma possível pelo desenrolar revolucionário, uma revolução de democracia

 Ao longo de boa parte da história, o anormal tem sido a norma, este é o paradoxo que vamos examinar. Aberrações, tão abundantes que formam uma terrível normalidade própria, caem sobre nós com uma consistência medonha.
A quantidade de massacres na história, por exemplo, é quase maior do que nós podemos nos lembrar. Houve o holocausto do Novo Mundo, que consistiu no extermínio de povos indígenas americanos nativos por todo o hemisfério ocidental, estendendo-se por quatro ou mais séculos e continuando até tempos recentes na região amazônica.

Foram séculos de escravidão cruel nas Américas e em outros lugares, seguidas por um século inteiro de linchamentos a da segregação de Jim Crow nos Estados Unidos, e pelos numerosos assassinatos e prisões da juventude negra pela polícia atualmente.

Não nos esqueçamos do extermínio de 200 mil filipinos pelo exército dos Estados Unidos no começo do século 20, o massacre genocida de 1.5 milhão de armênios pelos turcos em 1915, e a matança em massa dos africanos pelos colonialistas ocidentais, incluindo as 63 mil vítimas do genocídio de hererós e namaquas, no sudoeste africano alemão, em 1904, e a brutalização e escravização de milhões de belgas do Congo desde o final dos anos 1880 até a sua emancipação em 1960 – seguida pelos anos de exploração do livre-comércio neocolonial e pela repressão no que era o Zaire de Mobutu.

Os colonizadores franceses mataram 150 mil argelinos. Mais tarde, muitos milhões faleceram em Angola e Moçambique ao lado de outros 5 milhões na impiedosa região hoje conhecida como a República Democrática do Congo.

O século vinte nos deu – além de outros horrores – mais de 16 milhões de vidas perdidas e de 20 milhões de feridos ou mutilados na Primeira Guerra Mundial, seguidos pelos estimados 62 a 78 milhões de mortos na Segunda Guerra Mundial, incluindo 24 milhões de militares e civis soviéticos, 5.8 milhões de judeus europeus, e somados como um todo, muitos milhões de sérvios, poloneses, ciganos, homossexuais e uma porção de outras nacionalidades.

Nas décadas depois da Segunda Guerra Mundial, muitos, se não a maioria, dos massacres e guerras foram abertamente ou secretamente patrocinados pelo estado de segurança nacional dos Estados Unidos. Isso inclui os mais ou menos dois milhões deixados mortos ou desaparecidos no Vietnã, ao lado dos 250 mil cambojanos, 100 mil laosianos e 58 mil americanos.

Em boa parte da África, Ásia Central, e no Oriente Médio, hoje, existem guerras “menores”, cheias de atrocidades de todos os tipos. A América Central, a Colômbia, a Ruanda e outros lugares numerosos demais para listar sofreram massacres e extermínios em massa de centenas de milhares, uma constância de horrores violentos. No México, uma “guerra contra as drogas”, tirou a vida de 70 mil pessoas e deixou 8 mil desaparecidas.
Houve a chacina de mais de meio milhão de indonésios socialistas ou nacionalistas democráticos pelo exército indonésio patrocinado pelos Estados Unidos em 1965, que terminou seguida pelo extermínio de 100 mil timorenses do leste pelo mesmo exército apoiado pelos Estados Unidos.
Considere os 78 dias de destruição aérea da Iugoslávia pela OTAN, completada com [armas de] urânio empobrecido, e o bombardeio e invasão do Panamá, Granada, Somália, Líbia, Iêmen, Paquistão Ocidental, Afeganistão, e agora a guerra devastadora do atrito intermediado contra a Síria. Enquanto eu escrevo (no começo de 2013) sanções patrocinadas pelos Estados Unidos contra o Irã estão plantando severas dificuldades para a população civil daquele país.
Tudo o que foi citado acima faz parte de uma muito incompleta lista da injustiça feia e violenta no mundo. Um inventário completo encheria volumes. Como nós registramos os outros incontáveis abusos que marcam vidas, os muitos milhões que sobreviveram a guerras e massacres, mas seguem para sempre com corpos e espíritos quebrados, condenamos a uma vida de sofrimento e privações sem dó, refugiados que não têm comida ou remédios ou água e serviços sanitários em países como Síria, Haiti, o sul do Sudão, Etiópia, Somália e Mali?

 Pense nas milhões de mulheres e crianças ao redor do mundo e ao longo dos séculos que foram traficadas de maneiras impronunciáveis, e os milhões em cima de milhões presos em uma armadilha de exploração, sejam eles escravos, servos, ou trabalhadores mal pagos. O número de empobrecidos está agora crescendo em uma taxa que supera a população mundial. Some a isso os incontáveis atos de repressão, encarceramento, tortura e outros abusos criminosos que se abateram sobre o espírito humano em todo o mundo e todos os dias.

Não deixemos passar batidas a onipresente corrupção corporativa e as massivas fraudes financeiras, a pilhagem dos recursos naturais e o envenenamento industrial de regiões inteiras, o deslocamento forçado de populações inteiras, as catástrofes intermináveis de Chernobyl e Fukushima e outros desastres iminentes esperando o envelhecimento de muitos reatores nucleares.

As mais horrorosas aberrações do mundo são tão comuns e implacáveis que elas deixam de ser extremas e nós nos tornamos acostumados ao horror de tudo. “Quem hoje se lembra dos armênios?”, é uma pergunta que Hitler teria feito enquanto planejava sua “solução final” para os judeus. Quem hoje se lembra dos iraquianos e da morte e destruição que eles sofreram em larga escala pela invasão norte-americana de suas terras? William Blum nos faz lembrar que mais da metade da população do Iraque está ou morta, ou ferida, traumatizada, presa, deslocada ou exilada, enquanto seu meio-ambiente é saturado com urânio empobrecido (do armamento estadunidense) provocando horrorosos defeitos de nascimento nos bebês.


Padrões


O que será feito disso tudo? Primeiro, nós não podemos atribuir essas aberrações ao acaso, a confusões inocentes e a consequências não intencionais. Nem deveríamos acreditar nas justificativas comuns sobre espalhar a democracia, lutar contra o terrorismo, promover resgates humanitários, proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos e outras palavras de ordem gritadas pelas elites dominantes e seus porta-vozes.

Os padrões repetitivos de atrocidade e violência são tão persistentes que nos convidam a suspeitar que eles geralmente sirvam a interesses reais; eles são estruturais e não incidentais. Toda essa destruição e chacina deu altíssimos lucros aos plutocratas que buscam a expansão econômica, a aquisição de recursos, o domínio de territórios e a acumulação financeira.

Os interesses dominantes estão bem servidos por sua superioridade em armas de fogo e força de ataque. A violência é do que nós estamos falando aqui, não apenas a do tipo selvagem e arbitrária, mas a persistente e bem organizada. Como um recurso político, a violência é o instrumento da autoridade suprema. A violência permite a conquista de terras inteiras e das riquezas que elas contêm, enquanto se aproveita de trabalhadores deslocados e outros escravos.

Os governantes da plutocracia acham necessário maltratar ou exterminar multidões inquietas para fazer com que elas morram de fome enquanto os frutos de suas terras e o suor de seu trabalho enriquecem os círculos sociais privilegiados.
Assim, nós tivemos uma lei imperial regida pelo lucro que ajudou a causar a grande fome no norte da China, entre 1876-1879, resultando na morte de por volta de 13 milhões de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, a fome de Madras, na Índia, levou as vidas de nada menos que 12 milhões enquanto as forças coloniais enriqueceram ainda mais. E noventa anos antes, a Grande Fome na Irlanda levou a um milhão de mortes, com outro desesperado milhão emigrando de sua terra natal. Nada acidental aí: enquanto os irlandeses morriam de fome, seus patronos ingleses exportavam carregamentos de grãos e gado para a Inglaterra e outros países, ganhando para si lucros consideráveis.
Essas ocorrências devem ser vistas como algo mais que apenas anomalias históricas flutuando sem rumo no tempo e no espaço, causadas apenas por impulsos arrogantes ou casualidades. Não é suficiente condenar os eventos monstruosos e os tempos ruins, nós precisamos tentar entendê-los. Eles devem ser contextualizados no quadro mais amplo das relações sociais históricas.


Crises econômicas


O sistema socioeconômico dominante atual é o capitalismo de livre-comércio (em todas as suas variações). Junto com seu terrorismo imperialista implacável, o capitalismo de livre-comércio proporciona “anomalias normais” dentro de sua própria dinâmica, criando escassez e um excesso mal distribuído, cheio de duplicações, desperdício, superprodução, destruição ambiental assustadora, e variedades de crises financeiras, trazendo inchadas recompensas para um grupo seleto e dificuldades contínuas para multidões.

As crises econômicas não são excepcionais; elas são o modus-operandi do sistema capitalista. Outra vez, o irracional é a norma.
[Grafitti em Milão, na Itália, manda aviso ao ex-premiê Silvio Berlusconi: "Pague você a crise!]
Considere a história do livre-comércio: depois da Guerra da Independência dos Estados Unidos, houve as rebeliões de débito do final dos anos 1780, o pânico de 1791, a recessão de 1809 (que durou muitos anos), os pânicos de 1819 e 1837, as recessões e quebras ao longo de boa parte do restante daquele século. A séria recessão de 1893 continuou por mais de uma década.

Depois do desemprego industrial de 1900 a 1915 veio a depressão agrária dos anos 1920 – escondida atrás do que ficou conhecido entre nós como a “Era do Jazz”, seguida de uma horrenda quebra da bolsa e da Grande Depressão de 1929-1942. Ao longo de todo o século 20 nós tivemos guerras, recessões, inflação, lutas laborais, alto desemprego – raramente um ano que pudesse ser considerado “normal” em qualquer sentido agradável. Um período normal estendido seria ele mesmo uma anormalidade. O livre-comércio é desenhado para ser inerentemente instável em todos os aspectos fora o acúmulo de riquezas para os poucos selecionados.

O que nós estamos testemunhando não é um acaso irracional em uma sociedade basicamente racional, mas o contrário: o “racional” (a ser esperado) é o acaso de uma sociedade fundamentalmente irracional. Isso significa não podemos escapar aos horrores? Não, eles não feitos por forças sobrenaturais. Eles são produzidos pela ganância plutocrática e pela decepção.

Então, se o anômalo é a norma e o horror é crônico, na nossa revanche nós temos que dar menos atenção ao idiossincrático e mais ao sistêmico. Guerras, massacres e recessões ajudam a aumentar a concentração do capital, o monopólio de mercado e dos recursos naturais, e destroem organizações trabalhistas e a resistência popular transformadora.

Os caprichos brutais da plutocracia não são produto de personalidades particulares, mas de interesses sistêmicos. O presidente George W. Bush foi ridicularizado por errar as palavras, mas sua construção de impérios e remoção de serviços e regulamentos governamentais revelou uma grande devoção aos interesses da classe dominante. Da mesma maneira, o presidente Barack Obama não é covarde. Ele é hipócrita, mas não confuso. Ele é (em sua própria descrição) um antigo “liberal republicano”, ou como eu diria, um fiel servidor das corporações da América.
Nossos diferentes líderes são bem informados, não iludidos. Eles vêm de diferentes regiões e diferentes famílias, e têm personalidades diferentes, mas ele buscam basicamente as mesmas políticas representando a mesma plutocracia.


Ações


Então não é suficiente denunciar atrocidades e guerras, nós também temos que entender quem as propaga quem lucra com elas. Nós temos que perguntar porque a violência e a decepção são ingredientes constantes.

Consequências não intencionais e outras esquisitices acontecem em assuntos mundanos, mas nós também temos que levar em consideração as intenções racionais orientadas pelo lucro. É mais comum que as aberrações – sejam elas guerras, quebras de mercado, fomes, assassinatos individuais ou matanças em massa – tomem forma porque aqueles no topo estão buscando expropriações lucrativas. Muitos podem sofrer e perecer, mas alguém em algum lugar esta lucrando sem limites.

Conhecer nossos inimigos e o que eles são capazes de fazer é o primeiro passo na direção de uma oposição efetiva. O mundo deixa de ser uma confusão terrível. Nós podemos resistir a esses agressores quando nós vemos quem eles são e o que eles estão fazendo conosco e com nosso sagrado meio-ambiente.

As vitórias democráticas, não importa se são pequenas ou parciais, devem ser abraçadas. Mas as pessoas não devem ficar satisfeitas com favores cintilantes oferecidos pelos líderes suaves. Nós precisamos nos esforçar de toda forma possível pelo desenrolar revolucionário, uma revolução de democracia, o tipo de onda irresistível que parece surgir do nada enquanto leva tudo que está à sua frente.

* Michael Parenti é um escritor e historiador norte-americano. Seus livros mais recentes são The Culture Struggle (2006), Contrary Notions: The Michael Parenti Reader (2007), God and His Demons (2010), Democracy for the Few (9th ed. 2011), e The Face of Imperialism (2011). Para mais informações sobre o trabalho dele, visite seu site: www.michaelparenti.org. Artigo originalmente publicado no site Global Research


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